Embora o conteúdo e a natureza dos relacionamentos interpessoais sejam muito importantes, não são os únicos critérios na formação de vínculos positivos e, talvez, este seja o ponto mais importante a ser observado por um líder extraordinário. É preciso observar, compreender e utilizar outros critérios objetivos e subjetivos presentes na vida da organização que afetam, profundamente o envolvimento de seus funcionários.
Aqui estamos falando de fatores como identidade, reconhecimento, representações sociais e consciência.

1 – IDENTIDADE E AFILIAÇÃO À EMPRESA

A primeira coisa que um líder deve compreender é que a identidade individual de seu funcionário não é estática e imutável. Ao longo de sua vida, ele vem definindo e revendo objetivos, metas e valores muito influenciado pelas trocas que realiza com outras pessoas, com quem se relaciona em diversos espaços.
O ambiente de trabalho é um destes espaços formadores da identidade e, pode-se dizer um espaço privilegiado de desenvolvimento para as pessoas. Desta influência não escapa ninguém, do presidente ao zelador, porque não se trata de uma questão financeira ou acadêmica, é troca, é encontro, é construção de sentidos através da convivência. Todos somos afetados nestes encontros e deles podemos sair mais enriquecidos em habilidades e competências técnicas e socioemocionais.
Não se trata apenas de oportunizar momentos de convivência. Um líder precisa cuidar dos conteúdos que perpassam estes momentos. São oportunidades de levar seus profissionais a se perceberem importantes e prestigiados, reconhecidos, apoiados e respeitados. São estes sentidos que forjam poderosos traços de identidade do funcionário e garantem sua afiliação à empresa.

2 – RECONHECIMENTO E A ARTE DE OUVIR

Muitas práticas são altamente benéficas para a conquista, o comprometimento e o engajamento pessoal à empresa. Mas nada tem efeito mais poderoso do que a escuta ativa. Qualquer profissional é afetado de forma altamente positiva pela experiência de ser ouvido de forma real e genuína. Para isso, o líder precisa desenvolver as suas próprias competências de ouvir e dar bom feedback. Não deve terceirizar esta tarefa que é só dele. Esteja em qualquer posição na empresa, se presidente, diretor ou gerente, ouvir é sua tarefa e ela é intrasferível. Se o líder precisar de ajuda, deve contratar uma consultoria para prepará-lo, para desenvolver suas habilidades. Mas na hora de ouvir o seu funcionário é ele mesmo quem deverá estar lá.
O fato de ser ouvido gera valorização e aumento da autoestima, aspectos importantes no comprometimento e fidelização do funcionário; motivo bastante para considerar esta tarefa essencial.

3 – REPRESENTAÇOES SOCIAIS PROMOTORAS DE ESTADOS MENTAIS POSITIVOS

Muitas vezes, os líderes se dedicam mais às atividades do marketing externo, esquecendo que parte do seu capital é constituído de pessoas que têm sonhos, valores e, mais o importante neste caso, opinião.
Mais uma vez, deparamos com a importância de cuidar do clima e da cultura da organização para que toda a substância que percorra este ambiente seja promotora de vínculos com a empresa. Entendemos que substância é toda notícia que circula, toda manifestação pessoal, todo sentimento impregnado nas atitudes e toda ação feita às claras ou na invisibilidade. Tudo, exatamente tudo, deve gerar SENTIDO, SENTIMENTO E VONTADE de agir em benefício dos interesses coletivos.
Em seu planejamento estratégico, a empresa deve prever ações com objetivo de fortalecer a sua identidade também entre seus próprios funcionários. Para isso, sentido, é essencial cuidar da boa comunicação com e entre os seus funcionários.
Boas estratégias de comunicação são necessárias para oferecer transparência e integração, evitar informações negativas e detratoras e manter a saúde mental do individuo no grupo, promovendo o estreitamento de laços e referências entre funcionários e a corporação.

4 – PERCEPÇÃO E CONSCIÊNCIA DOS VALORES DA EMPRESA

Avaliações são muito úteis para embasar o redirecionamento de ações estratégicas por parte da gerência; mas muito mais importante é o seu efeito moral sobre o servidor, quando este se conscientiza da própria opinião sobre a empresa.
Muitos líderes temem a opinião do funcionário achando que ele poderá ter muitas queixas e reclamações inconciliáveis. Mas isso não pode ser generalizado. O mais comum é que a falta de direcionamento da avaliação do nível de satisfação do funcionário o deixe a mercê de certas insatisfações. E, enquanto se mantém focado em problemas isolados, naquilo que o afeta negativamente, perde a visão do todo em relação ao seu trabalho, deixando de lado muitos benefícios que o afetam positivamente. Isso quando não ocorre o pior, que é se deixar levar pela opinião alheia, devido àquela tendência à conformidade social.
O líder, portanto, deverá cuidar para que a avaliação do nível de satisfação leve à tomada de consciência sobre aspectos relevantes da empresa. Por este motivo, algumas perguntas não devem faltar e devem levar o trabalhador às seguintes conclusões:
• Sinto orgulho do que fazemos por aqui.
• De forma geral, estou satisfeito em trabalhar nesta empresa.
• Aqui é um lugar agradável para se trabalhar.
• Tenho orgulho do trabalho que faço, individualmente.
• Meu trabalho tem um sentido especial para mim.
• Meu trabalho impacta positivamente a minha vida pessoal.
• Eu sou importante para o bom funcionamento da empresa.
• Eu sou corresponsável pela função social e econômica da empresa.

CONCLUSÕES

É importante lembrar que o desenvolvimento da identidade do trabalhador, da percepção que ele tem de seu próprio reconhecimento, de representações sociais positivas e promotoras da empresa e a consciência de seus benefícios e valores é uma tarefa totalizadora no sentido de afetar positivamente a todos, independente da natureza do trabalho realizado. É, portanto, necessário superar a cultura do individualismo, mesmo nos setores onde ele é, às vezes incentivado.
Além disso, na educação corporativa, o líder deve elaborar seu planejamento levando em conta não apenas a capacitação dos funcionários em seus aspectos técnicos, mas também, o seu desenvolvimento pessoal, com ênfase na saúde emocional. Só assim, a empresa poderá alcançar níveis cada vez mais elevados de desenvolvimento e saúde.